segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ler e ler... é o melhor para poder crescer.

Resolvi aproveitar a loucura de fim de semestre e escrever um post sobre. Esta é a última semana de aulas da 6ª fase, ou seja, ano que vem será o meu último no curso de Letras (pelo menos como graduanda). Ai, nem parece verdade. E pra variar está uma correria... mil coisas para ler e escrever. Mas eu não vou negar que adoro esse montão de coisas para fazer! Fora que este semestre foi um dos melhores para mim em vários sentidos. Deixa eu exemplificar:


* Leituras maravilhosas: As aulas de literatura, como sempre, foram as melhores. Quanto mais eu estudo e leio, mais tenho certeza que quero me aprofundar. Amei Jean Rhys, Virginia Woolf e William Shakespeare. Também adorei o pouco contato que tive com teatro, performance e afins. Fascinante! Ah, e super entendo a relevância de outras áreas de estudo, apenas não sou muito chegada a elas.

* Primeira experiência como professora de Inglês: Esta foi uma das coisas mais interessantes que pude fazer. Estava resoluta de que jamais seria professora de língua, e não é que as coisas mudaram? Posso dizer que gostei muito, apesar de me sentir insegura como atuante. Outra coisa legal foi entender várias teorias vistas em aula, e questionar tantas outras. E gente, preparar aulas dá muito trabalho! Essa parte foi a mais complexa de todas.

* Aulas na Pós-Graduação: Outra experiência que adorei! Além de estar na área que mais me fascina (gênero), pude entrar em contato com várias teorias, escritores e textos legais. Pena não poder me dedicar por conta dos trabalhos e leituras das disciplinas obrigatórias. Só sei que quero mais!

* Grupo de Leitura: Apesar dos encontros reduzidos (por mim teria tido duas vezes por semana, se possível), foi o máximo! As leituras bastante legais, principalmente Jane Eyre, de Charlotte Brontë! E claro, poderíamos ter feito um clube do livro com amigas e tal, mas NADA se compara a discutir um romance/texto literário com quem realmente entende! Ano que vem continua!

* Bolsa PIBIC (twice): Comecei minha jornada como pesquisadora (pfft, soa bem mais pomposo do que realmente o é) ano passado. Apesar de apresentar muitos desafios (os quais não cabe detalhar aqui), foi uma experiência que me fez ganhar muito mais do que perder. Aliás, gostei tanto que tentei outra bolsa e consegui... agora em uma área com mais afinidade a área que pretendo estudar na pós. Não vejo a hora de me dedicar mais, por enquanto tive apenas breve contato com textos e teorias.

Enfim, é isso. Deixa eu voltar pros livros e filmes, que ainda tenho prova sobre Shakespeare pra finalizar, trabalho de Organização Escolar pra corrigir, prova de Análise do Discurso pra começar, comentários sobre poemas para escrever, e prova e aulas para montar. Ufa, achei que a lista não fosse acabar! (até rimou. rs!)

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Agora é contagem regressiva para a viagem. Primeira experiência no exterior. Mas deixarei este assunto para posts futuros... aliás, este será O assunto nos próximos três meses. Se preparem! :)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Good Morning, Midnight (Jean Rhys, 1939)

I’m Nobody! Who are you?
Are you — Nobody — Too?
Then there’s a pair of us!
Don’t tell! they’d advertise — you know!
How dreary — to be — Somebody!
- Emily Dickinson

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Seguindo a linha de posts sobre leituras boas que fiz durante o semestre, agora é a vez de falar de "Good Morning, Midnight" (Bom dia, Meia Noite no português), um romance escrito por Jean Rhys. A trama gira em torno de Sasha Jansen, uma inglesa que resolve voltar para Paris depois de muitos anos. Paris representa para ela um "novo começo", pois está sem propósito ou rumo na vida.

A história de Sasha se situa em uma Europa pós primeira guerra e em rumo a segunda. Mudanças significativas estavam ocorrendo no mundo e consequentemente na vida das pessoas. De certa maneira, Sasha se sente sozinha e tão devastada quanto a Europa que ela encontra ao seu redor -- toda aquela destruição que veio com a guerra deixou nela uma sensação de desamparo, como se não pertencesse a lugar algum. Como ela mesma afirma em certa passagem do livro "Não tenho orgulho - sem orgulho, sem nome, sem rosto, sem pátria. Não pertenço a lugar algum. Triste, muito triste..." (44).

De quarto em quarto, bar em bar, rua em rua, sua vida foi sempre assim: sem rumo ou propósito definido "Este quarto horrível -- saturado com o passado... É todos os quartos em que fiquei, todas as ruas que já caminhei (...) Quartos, ruas, ruas, quartos..." (109). Em certo momento do livro a protagonista mapeia todos os lugares da Europa em que esteve antes de chegar em Paris: Londres, Amsterdam. Sempre com a esperança de uma vida melhor quando chegasse na França, sempre aquele sonho... O irônico é que ela também não pertence em Paris, pois chega lá e continua perdida; distante de tudo e todos.

Por isso seus relacionamentos são todos superficiais. Sasha está tão perdida dentro de si mesma que não consegue se conectar com outro ser humano. As pessoas que ela conhece durante o livro representam essa sensação de vazio e sentido nas coisas. Representam todos aqueles que estavam dispersos na Europa daqueles tempos. Até mesmo Enno, o único amor que teve, foi uma grande decepção para ela. Ex-soldado, provavelmente marcado pelas experiencias terríveis da guerra e incapaz de amar outra pessoa. Neste sentido Sasha e as pessoas que cruzam o seu caminho podem ser considerados um espelho para aquela Europa pós guerra "Salva, resgatada, fisgada, quase afogada e de volta a superfície do lago negro e profundo, roupas secas, cabelos lavados. Ninguém saberia que estive lá... Só que é claro que sempre fica alguma coisa. Sim, sempre fica alguma coisa" (10).

Das decepções, da falta de propósito e de auto-estima, dos quartos baratos de hotéis e ruas escuras de Paris é que chegamos no final do livro. Alguns amam, outros odeiam... mas o que importa é que vale a pena chegar lá. Fica a dica deste romance bem escrito, que apresenta um estilo bastante bonito: fluxo de consciência. Espero que gostem. E pra finalizar, vou deixar uma passagem, uma das que mais gostei:

"As pessoas falam de uma vida feliz, mas vida feliz é aquela quando você não se importa mais com viver ou morrer. Só se chega neste ponto depois de muitos anos e muitas decepções. E você acha que consegue ficar lá? Nunca. Quando você alcançar o paraíso que é toda essa indiferença, você será resgatado deste lugar. Do seu paraíso você terá que voltar para o inferno. Quando se está morto para o mundo, ele lhe resgata, nem que seja só para tirar sarro de você" (91).

Boa leitura.

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