
O primeiro post oficial do novo blog será sobre uma leitura muito interessante que fiz para uma das disciplinas de literatura esse semestre, o ensaio "A Room of One's Own" ("Um Quarto Que Seja Seu" no português) da escritora inglesa Virginia Woolf. A premissa apresentada é bastante simples: se uma mulher deseja ser escritora de ficção deve ter independência financeira e um quarto que seja seu (em outras palavras, liberdade e privacidade). Para dar suporte aos seus argumentos, Woolf apresenta várias evidências de como as mulheres sofreram restrições - como a dependência financeira e o acesso a educação formal - e de que maneira isso influenciou a literatura até aquela época (levar em conta que o ensaio foi escrito no final dos anos 20). Mas o objetivo deste pequeno texto não é falar sobre a ideia geral apresentada no ensaio de Woolf, e sim do tema que originou o título do post "Chloe liked Olivia".
"Chloe liked Olivia perhaps for the first time in literature". Deixa agora eu explicar porque esta parte do ensaio me chamou atenção. É nela que a escritora fala das representações da mulher predominantes na literatura. Sempre em relação aos homens, e sempre através da visão deles, as mulheres eram retratadas como inimigas e/ou tinham os seus relacionamentos simplificados demais. Como exemplo, Woolf menciona a relação entre Cleopatra e Octavia, personagens de Shakespeare. Na peça as duas se detestavam, e o únicos sentimentos possíveis entre elas eram o ciúme e a disputa por Antony. A personalidade das mulheres, na maioria dos casos, beiravam os extremos, sendo apresentadas ou como demasiadamente boazinhas ou odiosamente más. Feias ou bonitas, miseravelmente tristes ou exageradamente felizes.
Chloe e Olivia são importantes porque simbolizam justamente a mudança no arquétipo "feminino" até então apresentado. Afinal, imagine como a literatura seria extremamente empobrecida se os homens fossem representados apenas em relação às mulheres, não podendo ser amigos de outros homens, soldados, pensadores, sonhadores? Imagine quantas magníficas histórias não teriam sido escritas, assim como muitas grandes histórias por/sobre mulheres permaneceram não escritas até o século XIX. Chloe e Olivia representam um momento de transição para as mulheres, o começo de uma longa caminhada rumo a personagens literárias construídas com mais complexidade em suas relações e personalidades, e rumo a uma maior liberdade de expressão para as mulheres no mundo "real".
***
