aproveitar que o protesto chamado "Marcha das Vadias" aconteceu em várias cidades do Brasil (dia 26 de maio) para falar sobre ele e as concepções de gênero que ele questiona. Slutwalks começaram ano passado, no Canadá, e consistem em passeatas onde se luta pelo direito das mulheres na sociedade - apesar de ser velado, e muitos acharem que a desigualdade entre os gêneros acabou, bem sabemos que tal realidade está longe. muitas mulheres ainda sofrem violência, são excluídas, e enfim, não tem os mesmos direitos que os homens em várias esferas da sociedade (no mercado de trabalho, por ex., onde tem seus salários reduzidos até mesmo quando trabalham nos mesmos cargos que homens).
durante séculos as mulheres foram oprimidas no sentido de ficarem presas ao lar; de serem consideradas de menor importância por não participarem ativamente de guerras, grandes eventos históricos, cargos políticos e afins. tal realidade está retratada na literatura da época; e nos dias de hoje podemos acessar tais informações não apenas nos livros, mas também no cinema e na internet. com o passar do tempo, a opressão foi tomando formas diferentes... a luta das feministas pela liberação sexual, por um espaço no mercado de trabalho e por um maior acesso a educação, gerou consequências e nos trouxe no ponto onde estamos hoje. agora as mulheres são eternamente associadas a sua imagem, seu corpo e atributos. devido a liberação sexual, é nosso papel estarmos lindas, maravilhosas e... atraentes. isto é, se quisermos ter uma chance com os homens.
arrumaram, então, outra maneira de nos manter no segundo plano. alienando as mulheres com blushs e batons, saltos e roupas da moda, ficamos a mercê desta eterna dança do acasalamento (que as românticas costumam chamar de "a busca pelo príncipe encantado"). como consequência, perdemos um tempão na frente do espelho (ou seja, temos menos tempo para ler, formar intelecto, ficar mais competentes para o mercado de trabalho), além da rivalidade entre nós mulheres ter ficado acentuada (o famoso conceito que mulheres se vestem para mulheres; de nunca se unirem para fazer as coisas). Para finalizar, agora somos apenas um corpo: uma bunda, um par de peitos, uma b****. daí surge a famosa rape culture. um turbilhão de imagens, filmes, músicas e afins com mulheres seminuas, sempre objetificadas e associadas ao prazer masculino e sexo. trivializando os estupros ("ah, estava de saia curta e pedindo"), não se reflete sobre as motivações e normas por detrás de tal realidade. por que uma mulher na rua, andando sozinha a noite "was asking for it?". de onde vem essa visão?
durante séculos as mulheres foram oprimidas no sentido de ficarem presas ao lar; de serem consideradas de menor importância por não participarem ativamente de guerras, grandes eventos históricos, cargos políticos e afins. tal realidade está retratada na literatura da época; e nos dias de hoje podemos acessar tais informações não apenas nos livros, mas também no cinema e na internet. com o passar do tempo, a opressão foi tomando formas diferentes... a luta das feministas pela liberação sexual, por um espaço no mercado de trabalho e por um maior acesso a educação, gerou consequências e nos trouxe no ponto onde estamos hoje. agora as mulheres são eternamente associadas a sua imagem, seu corpo e atributos. devido a liberação sexual, é nosso papel estarmos lindas, maravilhosas e... atraentes. isto é, se quisermos ter uma chance com os homens.
arrumaram, então, outra maneira de nos manter no segundo plano. alienando as mulheres com blushs e batons, saltos e roupas da moda, ficamos a mercê desta eterna dança do acasalamento (que as românticas costumam chamar de "a busca pelo príncipe encantado"). como consequência, perdemos um tempão na frente do espelho (ou seja, temos menos tempo para ler, formar intelecto, ficar mais competentes para o mercado de trabalho), além da rivalidade entre nós mulheres ter ficado acentuada (o famoso conceito que mulheres se vestem para mulheres; de nunca se unirem para fazer as coisas). Para finalizar, agora somos apenas um corpo: uma bunda, um par de peitos, uma b****. daí surge a famosa rape culture. um turbilhão de imagens, filmes, músicas e afins com mulheres seminuas, sempre objetificadas e associadas ao prazer masculino e sexo. trivializando os estupros ("ah, estava de saia curta e pedindo"), não se reflete sobre as motivações e normas por detrás de tal realidade. por que uma mulher na rua, andando sozinha a noite "was asking for it?". de onde vem essa visão?
por isso o título da marcha é esse! há a associação de vadia com algo negativo, mas no final das contas, o que significa ser vadia? por que ser vadia é algo ruim? andar na rua de roupa curta é ser vadia? porque isso me leva a concluir que o nosso corpo é apenas um objeto (que aliás NÃO NOS PERTENCE) e serve apenas para o prazer (que também querem roubar de nós!). não não não! quero ser vadia e livre. o meu corpo é só MEU, e não é porque ando de vestido, caminho na rua sozinha e sou livre, que mereço ser estuprada. temos que refletir sobre essa dicotomia entre "vadia/virgem". por terem vida sexual ativa, algumas mulheres merecem sofrer violência e repressão? e outra, por que há uma DICOTOMIA entre as duas palavras, anyway? o que tem a ver? ser virgem é apenas um fato; e não oposto de ser whore. quer dizer então que quem dá é whore? porque é isso que tal conceito sugere... e esse binarismo é que nos limita tanto. os estereótipos é que nos reduzem; nos fazem ou "isso" ou "aquilo", e não nos sobra espaço para sermos o que quisermos ser.
quero constatar aqui que fiquei feliz com tal iniciativa. foram passeatas com poucos agregados; mas com ótima fundamentação e que apontam uma busca pela mudança. parece que as mulheres se acomodaram só porque agora podem estudar e ocupar cargos políticos. a opressão está cada vez mais velada, difícil de detectar... e eis que mais "vitoriosa" para os interessados. porque a realidade é que nos colocam assim em segundo plano porque se sentem ameaçados -- o mundo é composto de dualidades, e uma é sempre predominante. há, então, de se enxergar que muita coisa continua a mesma, só mudou a máscara. daí a motivação para lutar por uma sociedade onde mulheres parem de ser tachadas, rotuladas disso ou daquilo, perseguidas e diminuídas. que elas possam andar nas ruas como quiserem, sem o constante medo.
finalizo com um texto que foi escrito sobre a marcha das vadias. leiam e se informem. se quisermos ver mudança, termos que argumentar de verdade. discourse is power, portanto, devemos nos apropriar dele.
vadias e livres, sim! por que não?
quero constatar aqui que fiquei feliz com tal iniciativa. foram passeatas com poucos agregados; mas com ótima fundamentação e que apontam uma busca pela mudança. parece que as mulheres se acomodaram só porque agora podem estudar e ocupar cargos políticos. a opressão está cada vez mais velada, difícil de detectar... e eis que mais "vitoriosa" para os interessados. porque a realidade é que nos colocam assim em segundo plano porque se sentem ameaçados -- o mundo é composto de dualidades, e uma é sempre predominante. há, então, de se enxergar que muita coisa continua a mesma, só mudou a máscara. daí a motivação para lutar por uma sociedade onde mulheres parem de ser tachadas, rotuladas disso ou daquilo, perseguidas e diminuídas. que elas possam andar nas ruas como quiserem, sem o constante medo.
finalizo com um texto que foi escrito sobre a marcha das vadias. leiam e se informem. se quisermos ver mudança, termos que argumentar de verdade. discourse is power, portanto, devemos nos apropriar dele.
vadias e livres, sim! por que não?
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