terça-feira, 29 de maio de 2012

is this (really) a man's world?

aproveitar que o protesto chamado "Marcha das Vadias" aconteceu em várias cidades do Brasil (dia 26 de maio) para falar sobre ele e as concepções de gênero que ele questiona. Slutwalks começaram ano passado, no Canadá, e consistem em passeatas onde se luta pelo direito das mulheres na sociedade - apesar de ser velado, e muitos acharem que a desigualdade entre os gêneros acabou, bem sabemos que tal realidade está longe. muitas mulheres ainda sofrem violência, são excluídas, e enfim, não tem os mesmos direitos que os homens em várias esferas da sociedade (no mercado de trabalho, por ex., onde tem seus salários reduzidos até mesmo quando trabalham nos mesmos cargos que homens).

durante séculos as mulheres foram oprimidas no sentido de ficarem presas ao lar; de serem consideradas de menor importância por não participarem ativamente de guerras, grandes eventos históricos, cargos políticos e afins. tal realidade está retratada na literatura da época; e nos dias de hoje podemos acessar tais informações não apenas nos livros, mas também no cinema e na internet. com o passar do tempo, a opressão foi tomando formas diferentes... a luta das feministas pela liberação sexual, por um espaço no mercado de trabalho e por um maior acesso a educação, gerou consequências e nos trouxe no ponto onde estamos hoje. agora as mulheres são eternamente associadas a sua imagem, seu corpo e atributos. devido a liberação sexual, é nosso papel estarmos lindas, maravilhosas e... atraentes. isto é, se quisermos ter uma chance com os homens.

arrumaram, então, outra maneira de nos manter no segundo plano. alienando as mulheres com blushs e batons, saltos e roupas da moda, ficamos a mercê desta eterna dança do acasalamento (que as românticas costumam chamar de "a busca pelo príncipe encantado"). como consequência, perdemos um tempão na frente do espelho (ou seja, temos menos tempo para ler, formar intelecto, ficar mais competentes para o mercado de trabalho), além da rivalidade entre nós mulheres ter ficado acentuada (o famoso conceito que mulheres se vestem para mulheres; de nunca se unirem para fazer as coisas). Para finalizar, agora somos apenas um corpo: uma bunda, um par de peitos, uma b****. daí surge a famosa rape cultureum turbilhão de imagens, filmes, músicas e afins com mulheres seminuas, sempre objetificadas e associadas ao prazer masculino e sexo. trivializando os estupros ("ah, estava de saia curta e pedindo"), não se reflete sobre as motivações e normas por detrás de tal realidade. por que uma mulher na rua, andando sozinha a noite "was asking for it?". de onde vem essa visão?

por isso o título da marcha é esse! há a associação de vadia com algo negativo, mas no final das contas, o que significa ser vadia? por que ser vadia é algo ruim? andar na rua de roupa curta é ser vadia? porque isso me leva a concluir que o nosso corpo é apenas um objeto (que aliás NÃO NOS PERTENCE) e serve apenas para o prazer (que também querem roubar de nós!). não não não! quero ser vadia e livre. o meu corpo é só MEU, e não é porque ando de vestido, caminho na rua sozinha e sou livre, que mereço ser estuprada. temos que refletir sobre essa dicotomia entre "vadia/virgem". por terem vida sexual ativa, algumas mulheres merecem sofrer violência e repressão? e outra, por que há uma DICOTOMIA entre as duas palavras, anyway? o que tem a ver? ser virgem é apenas um fato; e não oposto de ser whore. quer dizer então que quem dá é whore? porque é isso que tal conceito sugere... e esse binarismo é que nos limita tanto. os estereótipos é que nos reduzem; nos fazem ou "isso" ou "aquilo", e não nos sobra espaço para sermos o que quisermos ser.

quero constatar aqui que fiquei feliz com tal iniciativa. foram passeatas com poucos agregados; mas com ótima fundamentação e que apontam uma busca pela mudança. parece que as mulheres se acomodaram só porque agora podem estudar e ocupar cargos políticos. a opressão está cada vez mais velada, difícil de detectar... e eis que mais "vitoriosa" para os interessados. porque a realidade é que nos colocam assim em segundo plano porque se sentem ameaçados -- o mundo é composto de dualidades, e uma é sempre predominante. há, então, de se enxergar que muita coisa continua a mesma, só mudou a máscara. daí a motivação para lutar por uma sociedade onde mulheres parem de ser tachadas, rotuladas disso ou daquilo, perseguidas e diminuídas. que elas possam andar nas ruas como quiserem, sem o constante medo.

finalizo com um texto que foi escrito sobre a marcha das vadias. leiam e se informem. se quisermos ver mudança, termos que argumentar de verdade. discourse is power, portanto, devemos nos apropriar dele.

vadias e livres, sim! por que não?

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

give me the peace & joy in your mind,

e eis que resolvo me reinventar num caótico momento do semestre. em uma hora complicada para se fazer escolhas novas. é que a comodidade da alma me deixa inquieta, insatisfeita & frustrada, então mesmo com mid-terms, mil leituras, TCC's, bolsa de pesquisa e afins, quero me dar umas chances. quero dar chances para este semestre florescer. estava praticamente perdido, quase um borrão de emoções.

viagem. paixões e novas experiências. yoga mexendo com coisas que estavam quietinhas. volta brusca a rotina. aí, claro, acabei entrando naquela bad. mas acho que lentamente estou saindo dela. espero que não seja pura enganação ou algum trick que a minha mente esteja pregando. mas desta vez tomei providências reais: estou indo rigorosamente ao yoga, procurei um terapeuta. quero me entender melhor e parar de me perder nesse infinito labirinto que é a minha mente. ando meio afobada, querendo resolver todas as coisas ao mesmo tempo - mas isso também vou tentar ajustar. 

o que a Annie Hall diz pro Alvy Singer (vide foto) no filme Annie Hall me fez refletir sobre minha própria situação. porque eu posso continuar vivendo nessa bad ou tentar tirar algo bom de tudo isso. sei lá. odeio essas baboseiras otimistas, mas acho que sou muito nova e cheia de possibilidades para ser tão down. okay... sou mesmo a queen do contraditório. mas é que hoje comecei a ver aquela luzinha no final do imenso túnel.

dwell in possibility - poema que marcou minha vida. quero "mantraliza-lo".

dwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibilitydwell in possibility...

infinitamente.

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

but when you feel so powerless,



TWO roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;



[...] I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

Robert Frost










what are you gonna do?










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sexta-feira, 4 de maio de 2012

E-e-e-t; try to feel the beat.

It's like forgetting the words to your favorite songYou can't believe it; you were always singing along. Yes, that's exactly how this feels like. Not knowing yourself that well anymore... feeling so lost and helpless when you realize that the only thing you've done well in your life makes no sense to you anymore. It was so easy and the words so sweet. It's like waking up, everyday, promising yourself that this day is going to be better. This day is going to end better than yesterday, and this day will show you that you are back in the game. This awakening, this hopeful awakening will lead you to believe that today is going to be different, that in this day you are going to find yourself again. But no, you cannot remember when you try to feel the beat. Maybe you do not belong there anymore. Maybe you have to accept that it's time for a huge change in your life -- an impact. And hiding behind your pink curtains will not do it. Maybe it is time you start considering quitting - but not quitting from life, of course. Quitting from those choices that no longer seem appealing to you; interesting. But it was so easy and the words so sweet -- so part of you wants to hold on to that. One half shouts to you "fight all this apathy back" the other half says "just give up". While this struggle of opposites goes on, you get torn apart. You get torn into a million little pieces... 3 years gone, all that effort, dedication and hard work. 



So what is it going to be?

Time is running out and you have to make a decision. You have to make a decision before it becomes impossible to glue all those pieces back together.



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quarta-feira, 2 de maio de 2012

olhos transbordando com o vinho do amor

a calçada e os passos apressados. mãos entrelaçadas e troca de olhares apreensivos. faixa de segurança, sinal fechado, a travessia. a distância cada vez menor e o medo aumentando. tun-tun-tuntun. risadas nervosas, mãos atrapalhadas para encontrar as chaves dentro da bolsa que parece não ter fundo. chave, maçaneta, entrada. escadas a passos largos, quase corridos. falta de ar. mais olhares apreensivos e outra porta. mais uma chave. sala, corredor, quarto. cama, vestido, zíper. zíper meio aberto, meio emperrado. olhos nos olhos, coração acelerado, quase saltando do peito. lábios unidos, mãos nos cabelos. respiração pesada, curta, suspiros. braços e abraços. carinho atrapalhado e nervoso, mas acolhido. calor. curiosidade, expectativa, chuva batendo contra a persiana. velho dia indo embora e novos amantes acontecendo. ainda o medo. entrega lenta e assustadoramente doce: o abismo. alça caída, ombros acariciados, peitos macios e aconchegantes. o corpo estirado na cama. e outro corpo de encontro com esse. a colisão. os movimentos lentos, sussurrados, a precaução. o cuidado com o estar do outro; os olhos que não se desviam. a eternidade naquele momento. a dor indesejada mas presente. dor que suportavelmente vai se dissolvendo e dando lugar a satisfação. ao entendimento, a aceitação, a cumplicidade. felicidade.



"mãos e cabelos e bocas
unidos, confusos, perdidos

coração acelerado
que no peito se põe a bater, desvairado

mãos entrelaçadas
ternamente cúmplices, inspiradas

braços, abraços, unificação
somos agora, no escuro desta noite,
apenas...


cor (ação)"
Maria Eduarda Rodrigues




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"Também acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus"
Chico Buarque